eram uma civilização politeísta e acreditavam
que se o sangue humano não fosse oferecido
ao sol a engrenagem do mundo deixaria de
funcionar. o deus mais venerado era quetzalcóatl
a serpente emplumada
há referências a um deus sem face, invisível
desprovido de história mítica para quem o rei
mandou fazer um templo sem ídolos, apenas
uma torre. uma casa que espera.
sobre a figura desse deus um deles desenhou
seu rosto. por isso você é um marco na
cultura ocidental. ou pelo menos em
parte dela.
enquanto eu descendo de povos que celebravam
a violenta força do teu nome.
.
anotações para um futuro poema
para Anelise Freitas
como quem pede socorro
forma e corpo e tamanho
e dimensão e espessura
não são o poema
penso em um poema suspenso
com uma voz de lado que
toca-se - alguns - com as
pontas dos dedos
o poema é carne e sangue
e corpo e metáfora
por vezes o poema tem
a mesma largura que o grito
por isso penso no poema
como uma pista uma bússola
uma
âncora.
e fica
o poema não é a geografia do poema
o poema não é a distância do poema
o poema não é o motivo do poema
(em alguma latitude fracassada
o poema te encontra
longe: afoga)
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