
"Alguém já disse que todo poema é a história de uma perda. Nem sempre. Para Otávio Campos, por exemplo, a poesia talvez seja aquilo que acontece entre o agora e o para sempre e tudo que separa esses dois momentos e/ou lugares no espaço. Dividido em três atos, Distância começa procurando compreender as lacunas entre o eu e o outro, atravessando também as possibilidades da palavra e os abismos da noite. E é percorrendo os menores detalhes e os maiores impasses da vida que este livro nos mostra o quanto de cada um de nós pode sempre ser também poesia."
Laura Assis
"Qual é a distância – sonora – entre uma nota e outra? Não encontro resposta, apenas caminho para refletir que, entre notas, há uma distância infinita, ou melhor, quase: pois quando próximas do fim, manifestaram-se em outra coisa, outro som, outra nota. Se hoje o caminho entre a poesia e as pessoas é visto como longo, Otávio Campos consegue, em seu livro de estreia, encurtá-lo. Mesmo que esse caminho, essa distância, seja entre uma nota e outra, o branco e o preto, o dia e a noite, ou próxima do imensurável."
Danilo Lovisi
seus eternos
são fantasmas
que ecoam
nas gravuras
em branco e preto
não plastifico, congelo,
fotografo
não conto, exponho,
registro
- sinto
na fração de segundo
em que a eternidade
me atravessa e per-
passa até o outro
ponto do peito
- sou
e o que desespera
pouco é
o correr do tempo
mas
a distância
que existe
entre o nosso
para sempre
(Distância, Aquela Editora, 2013)
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